terça-feira, 13 de maio de 2025

Intercâmbios de Bibliotecas Escolares 2024/25

         No terceiro período ocorreu o intercâmbio “Vitória, vitória criámos uma história!”. A história criada "a várias mãos" foi compilada, afixada no placar do polivalente da escola e divulgada.

O conto ficou bem bonito e revela a criatividade dos nossos alunos!

Eis a história escrita seguida de foto do resultado final:

O baú das sementes douradas

1.ª Parte

Era bem cedo, num dia quente de verão, quando o Tiago acordou na casa da avó.

Todos os dias o galo cantava à mesma hora e as crianças acordavam para mais um dia no campo, durante as férias de verão. Eram tão felizes ali.

Depois de ajudarem a avó a alimentar as galinhas, os porcos as cabras e também os patos, que nadavam num lago pequeno com águas de um azul transparente, prepararam-se para o dia que chegava.

Arrumaram nas mochilas um pequeno lanche, uma lanterna e uma bússola e partiram para a densa floresta que abraçava a pequena aldeia.

Eram dez horas quando os irmãos saíram de casa. Amélia, Ana e Tiago eram muito unidos, partilhavam muito do seu tempo uns com os outros. A eles se juntaram os vizinhos Simão e Maria, que também adoravam aventuras.

Caminharam ansiosos pelos trilhos de ervas frescas e logo se depararam com a entrada da floresta, que parecia um pouco estranha.

As crianças eram muito curiosas e interessavam-se muito pelas questões ambientais. Por isso, e porque as florestas são muito importantes para a vida do planeta, tinham traçado um plano de visita ao interior daquele lugar de forma a não estragar o que lá encontrariam.

Quanto mais se aproximavam maior era a sua inquietação. Tinham ouvido falar da magia daquele local, até havia pessoas que confirmavam que lá vivia um Dragão Azul.

- É já ali a entrada! – disse uma delas – Vamos!

Entraram na floresta por onde umas árvores muito altas se debruçavam e formavam uma espécie de porta de entrada.

2.ª Parte

Mal colocaram o primeiro pé na floresta sentiram algo diferente, um misto de sensações: harmonia, paz, equilíbrio, … e magia. As cinco crianças estavam espantadas com o que viam: árvores robustas, com folhas cintilantes e repletas de frutos exóticos, que nem conheciam, pequenos arbustos com bagas de vários tons lilás e azuis as quais o Tiago e o Simão não resistiram em provar. Apanharam delicadamente e …

- Hummmmmmm que delícia! - disseram os meninos. -  Nunca comi nada igual! – acrescentou o Simão.

Encheram os bolsos de bagas e…

- OOOOh   OOOOOh   OOOOh   OOOOOh

- Que som é este?! – perguntaram as meninas em coro.

Curiosos, procuraram com os olhos de onde vinha. Avançaram…

- Cuidado, não pises essas delicadas flores “arco-íris”! São lindíssimas e tão perfumadas! – exclamou a Ana para o Tiago que, naquele momento, ia à frente do grupo.

- Olha que deslumbrantes joaninhas! Elas mudam de cor, parecem camaleónicas! – diz o Tiago maravilhado ao colocar uma na sua mão.

A curiosidade adensava-se a cada passo, a cada olhar, a cada som, a cada aroma, a cada sentir.

 3.ª Parte

Continuaram a andar, quando de repente, um brilho intenso chamou a atenção de Tiago. Ele correu em direção a um pequeno lago escondido entre as árvores. A água era tão clara que podiam ver peixes coloridos a nadar tranquilamente.

- Olhem! – gritou Tiago, apontando para o reflexo do céu na água. – É como um espelho mágico!

As crianças juntaram-se a ele, admirando a beleza do lugar. De repente, ouviram o som novamente, mais perto desta vez. Era um canto suave, como se a própria floresta estivesse a cantar. Intrigados, decidiram seguir o som.

- Vamos descobrir de onde vem! – disse Amélia, empolgada.

Ao se aproximarem, encontraram uma clareira rodeada de flores brilhantes. No centro, havia uma enorme árvore com tronco azul e folhas que cintilavam como estrelas. E lá, repousando sob seus galhos, estava o Dragão Azul.

Ele era majestoso, com escamas que refletiam a luz como gemas. O dragão olhou para as crianças com olhos sábios e acolhedores.

4.ª Parte

     - Olhem, amigos, ali está o Draagãooo Azullll! – gaguejou o Tiago.

     - Ele existe mesmo! Tiago, vamos voltar para trás! – disse a Ana, ASSUSTADA.

- Ele vai lançar labaredas de fogo e vamos morrer queimados! – gritou a Amélia, puxando o braço do Simão com força.

O Dragão Azul, devido ao ruído e aos gritos, despertou do seu sono matinal e apercebeu-se da presença das crianças no seu território, aproximou-se delas, lentamente, e, emocionado, disse:

- Bem-vindos ao meu reino! Venham conhecer a minha casa, a minha árvore de tronco azul! Os cincos amigos, perante a amabilidade do Dragão Azul, aceitaram o convite. O interior da árvore estava repleto de folhas secas, de flores de mil cores, de joaninhas reluzentes e de passarinhos que chilreavam belas melodias. Os cinco amigos ficaram deslumbrados com a magia daquele ambiente, mas o Dragão, de repente, entristeceu e suplicou:

- Preciso da vossa ajuda para salvar a floresta! Ela está amaldiçoada devido às alterações climáticas, à poluição do ar e aos incêndios constantes no verão! Em breve, todas as árvores irão tombar e morrer. Não existirá mais vida nesta floresta! Temos de a salvar! 

- Como podemos ajudar-te, Dragão Azul? – afirmaram o Simão e o Tiago.

- Vocês podem ajudar-me a descobrir aonde está o baú misterioso, que guarda as preciosas e mágicas “sementes douradas”, só com elas é que podemos salvar a floresta.  Posso contar com a vossa ajuda?

Empolgados, os meninos aventureiros, decidiram ajudar o Dragão AZUL. Eufóricos, subiram para as asas brilhantes e aniladas do Dragão e gritaram em uníssono: Um por todos e todos por um”!

5.ª Parte

O dragão voou durante muito tempo, até que se fez noite. Cego pela escuridão, esbarrou numa árvore e as crianças caíram desamparadas no chão. Apalparam o terreno à procura das mochilas e acenderam as lanternas, que apontaram para uma pegada gigante. Decidiram investigar e mais à frente viram uma gruta. Lá dentro estava um baú. Correram até ele e abriram-no rapidamente.

- Oh, é um livro!... Pensei que era o baú das “sementes douradas”… - disse o Tiago, desapontado.

- “A lenda do monstro da gruta” – leu a Ana – Será que tem alguma pista sobre as “sementes douradas”?

Ao fim de algumas páginas, encontraram a palavra “sementes”, mas o resto da folha estava rasgada.

 - Temos de procurar o resto da folha. Vamos! – ordenou o Simão.

Enquanto procuravam a folha, repararam num monstro a dormir agarrado a um baú.

 - Chiu, não façam barulho. – pediu o dragão azul.

Mas o monstro acordou e as crianças assustaram-se.

- Não tenham medo, eu não faço mal a ninguém. O que fazem aqui?

A Maria respondeu:

- Estamos à procura do baú que guarda as “sementes douradas”, para salvarmos a floresta.

- É este. Podem levá-lo, mas com uma condição: lancem as sementes também à volta da minha gruta, para este ser também um lugar especial.

As crianças assim fizeram. Imediatamente belas árvores e flores surgiram como cogumelos.

- Toda a floresta que surge das “sementes douradas” é imune aos incêndios e à poluição. – explicou o dragão azul. – Muito obrigado!

E assim, durante muitos anos, o gesto daquelas crianças foi lembrado em todas as conferências pelo clima.

FIM 

1.ª Parte – EB1/PEC da Nazaré – 4.º ano

2.ª Parte – EB1/PEC da Nazaré – 3.º ano

3.ª Parte – EB1/PE do Monte – 4.º ano

4.ª Parte – EB1/PE do Lombo dos Canhas – 3.º ano

5.ª Parte – EBS/PE da Calheta – Polo da Fajã da Ovelha – 3.º e 4.º anos


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